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14/02/2017 - 11:00

Acessibilidade na Web ganha destaque com projeto A1br.org 

Nos últimos anos a acessibilidade vem se tornando tema fundamental na concepção de projetos dos mais variados, do planejamento de cidades à arquitetura de prédios, até o desenvolvimento de sites e aplicativos digitais. A  Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa) vem se destacando no assunto com a iniciativa de um grupo de técnicos atentos às demandas emergentes da sociedade. Assim surge o projeto a1br.org - o primeiro portal de notícias acessíveis do Brasil, premiado em terceiro lugar na quarta edição do “Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web - Todos@web”.
    
Ter acesso à produção de conteúdo e, portanto, de conhecimento é uma questão de autonomia. Hoje em dia os sites desenvolvidos são povoados de conteúdo visual, o que torna a experiência dificultosa para uma parcela considerável de cidadãos que têm as mesmas necessidades da maioria da população. Por outro lado, é crescente a disponibilidade de serviços de Governo pela web e por isso, são fundamentais projetos que busquem minimizar as diferenças para equilibrar privilégios e possibilidades. 

Quando se percebe que aproximadamente 24% da sociedade brasileira apresenta algum tipo de deficiência, segundo o Censo 2010 / IBGE, e que quase 19% tem alguma deficiência visual, é momento de planejar com mais atenção às necessidades do entorno, nas diversas áreas da sociedade. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Sistemas da Prodepa, Lourenço Monteiro, “por uma iniciativa do técnico Edinamar Andrade, contando com nosso apoio, da diretoria e da gestão da empresa, algumas ações foram iniciadas para melhorar a questão da acessibilidade”. De uma dessas ações, se desenvolveu uma parceria com a Ufra - Universidade Federal Rural do Pará, prevendo a troca de informações entre pesquisadores especialistas nesse tema e os analistas, que compraram a ideia, fazendo com que o Governo do Estado também tornasse seus sites e conteúdos mais acessíveis”, explica o diretor.
 
Navegar pelo som

O analista de sistemas da Prodepa e idealizador do portal A1br.org, Edinamar Andrade, conta que vem trabalhando há dez anos com a ideia de acessibilizar os conteúdos na internet, ou seja, permitir que públicos com deficiência visual consigam ouvir os conteúdos de interesse. “A acessibilidade na web acaba facilitando a todos, mas sem dúvida nenhuma pessoas com deficiência visual e  idosas são as maiores beneficiadas no acesso aos conteúdos na Internet. O portal A1br é o que chamamos de acessibilidade na web ideal, cruzando informações no ambiente visivelmente mais simples e menos carregado de informações desnecessárias”. Edinamar esclarece que “as pessoas cegas utilizam programas de computadores, as chamadas tecnologias assistivas ou tecnologias de apoio. São tecnologias feitas para dar autonomia e independência para pessoas com deficiência. Assim como temos a bengala, o cão guia, temos no mundo virtual o leitor de tela, que realiza a leitura do conteúdo que aparece na tela”.
 
O problema dos leitores de tela é a falta de acessibilidade e  usabilidade dos sites, é que para cada página acessada, o software precisa ler todos os itens que existem até chegar nas informações de interesse. Ao visualizar um portal de notícias, percebe-se o percurso que o software precisa fazer até chegar no conteúdo de interesse do usuário, tornando a experiência dificultosa e demorada para o público com deficiência visual. “Tem pessoas cegas que já trabalham com computador que até conseguem acessar os conteúdos através de teclas de atalhos por exemplo, mesmo não possuindo acessibilidade. Mas a grande maioria das pessoas cegas não possui experiência no uso frequente do computador, logo quando desejam acessar os conteúdos, têm muita dificuldade para chegar na informação”, afirma Edinamar.
 
Nos dias de hoje, o computador e a internet trouxeram muita independência para as pessoas com deficiência visual. Antigamente só era possível obter notícias através do jornal impresso, logo dependiam exclusivamente de uma outra pessoa para ler. Hoje, é preciso apenas que as pessoas tenham a possibilidade de acessar os sites, escutar as informações e fazer suas próprias interpretações. “Quando você projeta uma cidade, um edifício ou um site, se você não perceber a diversidade do público no momento de projetar, vai sair muito caro depois para corrigir. Então, ou você inclui na arquitetura original de cada projeto, ou você ignora. E não dá para ignorar que aproximadamente 24% da população têm algum tipo de deficiência”, comenta o diretor Monteiro. “A tendência é que a gente consiga espalhar em todos os sites do Governo do Estado, e estimular que outros Estados, órgãos e outros poderes possam também se atualizar, para que a gente tenha esse percentual de sites acessíveis cada vez maior”, complementa.
 
Tecnologias contribuindo para um mundo melhor
 
Lourenço Monteiro acredita que “a tecnologia não tem esse poder de intervir na sociedade de forma contundente, mas tem uma grande contribuição a dar. E cada ação dessa é muito simbólica, e pensar que uma empresa está se preocupando com acessibilidade, em uma visão ampliada da sociedade, é um sinal, é um caminho que pode ser seguido por outras instituições”.
 
Em se tratando dos planos para o futuro, entende-se hoje o celular como o principal meio de acesso a conteúdos e execução de tarefas virtuais. A vantagem é que a maioria dos sistemas operacionais móveis já têm funções específicas, como o reconhecimento de comandos de voz, e a leitura de conteúdos. “Então os passos que a gente gostaria de atingir nas nossas ações caminham na direção de se apropriar desses recursos no desenvolvimento dos nossos projetos, para que os aplicativos e serviços públicos saiam com essa função nativamente ativada”, conclui o diretor.
 
A1br.org - o primeiro portal de notícias acessíveis do Brasil
 
Com o objetivo de contribuir para o acesso digital de usuários com deficiência, foi idealizado o projeto A1br.org que tem como objetivo acessibilizar os conteúdos disponíveis nos principais portais de notícias nacional. O Portal A1br.org possui um mecanismo que possibilita fazer uma varredura nos grandes portais de notícias e "capturar" os conteúdos principais tornando o portal limpo e acessível e facilitando assim a sua leitura principalmente por pessoas com deficiência visual e idosos.
 
Nesta primeira versão o acesso pode ser feito em diferentes plataformas tais como Windows, Linux, Mac OS e em diferentes navegadores tais como Internet Explorer, Mozilla, Chrome, Safari e etc. É possível também o acesso por meio de dispositivos de saída de dados como Notebook, Smartphone e Tablets. No caso específico das pessoas com deficiência visual, o sistema está preparado para ser utilizado por diferentes leitores de tela como NVDA, Jaws, Virtual Vision, Dosvox, entre outros.

Na primeira fase está sendo disponibilizado somente as notícias do portal G1 nas categorias, Últimas notícias, Mundo, Brasil, Pará, Entretenimento e Esportes; nas versões seguintes o usuário poderá escolher sua fonte de notícia (G1, UOL, IG, etc.) individualmente ou conjuntamente. O sistema tem a possibilidade de automaticamente reconhecer a região em que o usuário se encontra e carregar as notícias de seu interesse. “Desde 2012 eu venho com essa ideia de como fazer um site acessível, mas não foi possível pela falta de uma tecnologia. No ano passado, com a parceria importantíssima do analista de sistemas Luiz Guilherme Cruz, que pesquisou e desenvolveu  uma tecnologia capaz de filtrar os conteúdos de interesse dos portais de notícia, suprimindo banners, menus, imagens e outras informações, cruzando somente o que é de interesse em um portal simples, com alguns recursos para facilitar a experiência de usuários com deficiência visual”, explica o idealizador do A1br.org.

Acessibilidade é lei
 
Em 2004 foi regulamentada a Lei da Acessibilidade nº 5296/2004, que obriga todos os sites governamentais a terem sistema de acessibilidade. No entanto, hoje, em 2017, nem 5% dos sites governamentais nas esferas municipais, estaduais e federais possuem a tecnologia adequada. No Estado do Pará, a Prodepa contribui com o índice de 36% de sites do Governo acessíveis. 

 

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