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07/04/2017 - 10:00

Com dezesseis municípios e uma população de 525.347 habitantes, o arquipélago do Marajó tem a maior taxa de analfabetismo (21%) na faixa acima de 15 anos e o maior índice de pobreza do Pará (57%). Apesar de se destacar na produção de palmito e de açaí, respondendo por 55% e 30% respectivamente da extração no Pará; os índices econômicos muito baixos e a população geograficamente dispersa e sem recursos são fatores que justificam o desinteresse da iniciativa privada em investir na região. Por isso, da infraestrutura de rede em fibra óptica que o governo do Estado está implantando, a do Marajó é a que pode ter maior representatividade em termos de benefícios para a população.

A Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), em parceria com a Celpa e usando um cabo subaquático, implantou uma estrutura de fibra ótica, responsável pela transmissão de dados, interligando a ilha do Marajó à rede pública de internet. São 24 pares de fibra com 10,7mm de diâmetro total. Isso representa o transporte de dados em alta velocidade, proporcionando o alcance de taxas de transmissão da ordem de 40 Gbps.

O primeiro município do arquipélago a receber internet via fibra ótica foi Ponta de Pedras. Lá, o Navegapará já está disponível para a população em um ponto de acesso livre na praça da cidade e outro no terminal hidroviário, com internet gratuita via wi-fi. Também já foram interligados e estão em pleno funcionamento outros 20 pontos, entre eles: escritório da Adepará, duas escolas estaduais, Polícia Militar, CRAS, unidades da Seduc, Semed e Emater, melhorando a conectividade e o acesso aos serviços públicos no município.

Para o presidente da Prodepa, Theo Pires, a disponibilização da rede de fibra óptica por meio da parceria com a Celpa representa aquilo de mais importante que o governo do Estado pode oferecer, hoje, em nível de tecnologia, à população do Marajó: a sua integração com o resto do mundo por meio da internet. “Não só pelo acesso à internet, mas, também, aos diversos meios de comunicação disponíveis, como telefonia fixa e móvel. Através de um único link em fibra óptica é possível oferecer um serviço melhor, e é isso que o Estado vai buscar agora”, declara Theo.

Já existe o projeto para expandir essa rede, a partir de Ponta de Pedras, para alguns municípios. A Prodepa está trabalhando na busca do recurso financeiro. E em consonância com o Programa Pará 2030 - que visa melhorar a renda média do paraense, fazendo com que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresça – está sendo instalada uma estrutura de posteamento de energia elétrica em Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, e a expectativa é que a fibra óptica acompanhe o mesmo cronograma.

A meta do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019 para a região era conectar Breves, cidade polo da ilha. No início de 2017 esse objetivo foi alcançado e, agora, o município é a mais nova Cidade Digital do arquipélago, junto com Ponta de Pedras, Salvaterra e Soure que já contavam com a internet do Navegapará desde 2012.

O link que chega a Breves, via rádio de alta capacidade, já atende a população. Além disso, já foi implantada uma rede em fibra óptica dentro do município. Foi construído um pequeno anel óptico, partindo da entrada do link da Prodepa na UFPA até o Hospital Regional, com aproximadamente 4,5 quilômetros de extensão. A partir desse ponto sai a radial GPON (tecnologia de que permite uma transmissão e recebimento de dados mais rápida através de uma única fibra), que hoje interliga o comando Regional da Polícia Militar; a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefa) e o hotzone (ponto de acesso livre à internet) da Praça do Operário, além do Hospital e da UFPA. As próximas instituições a serem conectadas são a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Por se tratar de uma cidade polo no arquipélago, a maioria dos órgãos têm sede regional em Breves. No município, foram mapeados mais de 20 pontos que podem ser beneficiados com a conexão em banda larga. “Tem órgão, por exemplo, que paga mais de dez mil reais por mês por um link via satélite de menos de um mega de banda. E a Prodepa oferece, de início, dois megas de fibra”, conta o gerente de Projetos de Cidadania da Prodepa, Tiago Cardoso.

Dentro do Programa Pará 2030, há a Rota Turística do Queijo do Marajó, criada para incrementar o fluxo turístico na região a partir de novos roteiros e produtos de turismo gastronômico em Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari. Neste contexto, ainda em 2017, a Prodepa deve iniciar nova ligação a partir de Ponta de Pedras, chegando até Soure.

A finalidade é transportar o sinal das operadoras de telefonia e dos provedores de internet que atuam no Marajó para melhorar a capacidade de uso dessa infraestrutura de rádio, que é a única existente na região. “A fibra óptica traz melhoria na qualidade desse transporte e, consequentemente, do serviço oferecido. É a forma que o governo tem de levar à população da ilha os avanços da tecnologia da informação e comunicação”, conclui o presidente.

A Rota Turística do Queijo do Marajó pretende ser uma alternativa de renda para os produtores locais, uma vez que o fluxo de pessoas ao longo da rota dinamiza a economia e possibilita a valorização dos atrativos naturais, culturais e históricos da localidade. A conectividade dos municípios da rota contribui para a comercialização dos insumos, fortalecendo a base produtiva da agricultura familiar. O programa visa agregar valor aos produtos agrícolas locais e beneficiar pequenos produtores rurais das comunidades envolvidas, a fim de gerar negócios, emprego e renda.

Pontos de acesso livre à internet no Marajó:

Breves – Praça do Operário
Ponta de Pedras – Praça da Cidade e Terminal Hidroviário
Salvaterra – Praça Magalhães Barata
Soure – Praça da Orla

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