Áreas

24/03/2017 - 14:00
O encontro na Uepa trouxe, especificamente, a metodologia DevOps

A Universidade do Estado do Pará (Uepa) recebeu o 1º Encontro GUMA-PA 2017 no dia 23 de março, no auditório Paulo Freire, do Centro de Ciências Sociais e Educação, em Belém. O evento é uma das ações do Grupo de Usuários de Métodos Ágeis do Pará (Guma-PA), que reúne estudantes e profissionais de Tecnologia da Informação (TI). A organização da palestra também teve a parceria da Comunidade Tá Safo, que se refere à Tecnologias Abertas com Software Ágil, Fácil e Organizado.

O grupo faz parte da Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações, seção Pará (Sucesu-PA), da qual a Uepa também é vinculada. O Guma-PA busca integrar pessoas, incentivar a troca de experiência e apoiar a adoção de métodos ágeis pelas organizações de tecnologia na região.

O encontro na Uepa trouxe, especificamente, a metodologia DevOps, considerada a chave para a mudança de paradigma da forma tradicional de trabalho da área de TI. O termo é originário da combinação das áreas desenvolvimento e operações. Objetiva promover exatamente a integração entre desenvolvedores de software e profissionais de infraestrutura, que utilizam linguagens e ferramentas distintas e trabalham em etapas específicas de uma demanda.

A palestra de abertura foi ministrada pelo gerente de projetos do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Rafael Soto, direto de Brasília, por videoconferência, que apresentou como a metodologia é aplicada no Projeto Estaleiros, pioneiro no país. “Antes o nosso processo envolvia 14 áreas dentro do setor de operação, tínhamos problemas no tempo de implantação, por conta da passagem de bastão entre as equipes, e o baixo nível de automação, ou seja, as atividades eram feitas de forma manual”, lembra.

O nome do projeto faz referência à característica dos estaleiros de concentrar em um só lugar todos os meios humanos, materiais e técnicos, necessários para a execução de uma obra. A partir da metodologia DevOps, eles criaram um grupo multitarefa, com representantes das áreas, para a inclusão de ferramentas que acelerassem o processo sem perder a qualidade do serviço.

Com a experiência do Serpro em Brasília, a unidade da instituição no Pará será a primeira a receber capacitação para integrar o projeto a partir de abril. “Recebemos o material de estudo prévio e nos dias dos treinamentos colocaremos os conhecimentos em prática em projetos já existentes”, explica Artur Tupiassu, gerente de desenvolvimento do Serpro em Belém, que também integra o Guma-PA.

“Pelo modelo tradicional, a área de infraestrutura é responsável pela parte física e também pela configuração dos servidores, e assim garantir estabilidade dos sistemas. Com a mudança, essa configuração, que era feita a partir da execução de scripts por um profissional, será possível de forma automatizada. Em vez de esperar dois meses por um ambiente de produção, agora a espera pode durar apenas seis segundos”, continuou Tupiassu.

Além da aceleração do tempo, o DevOps auxilia também na redução de custos operacionais, principalmente quanto ao pagamento de servidores a partir do da implantação e uso dos softwares. Sistemas como o e-Social (funcionalidade para empregadores domésticos) e o da Declaração de Imposto de Renda da Receita Federal, que requerem um uso somente em um determinado período do mês ou do ano, sairão mais em conta para o país.

Para o diretor de Serviços de Processamento de Dados da Uepa e membro do Guma-PA, Ítalo Di Paolo, ter contato com essas experiências inovadoras são importantes. “Trazer experiências de agilidade para a universidade é uma forma de capacitar a equipe técnica e conhecer exemplos que estão dando certo”, afirmou. A recente implantação do Sistema de Processo Eletrônico (PAE) na Uepa é um exemplo de automação com base em metodologias ágeis. Em parceria com a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), a mudança iniciada em 2017 está em fase de treinamento e conscientização quanto ao uso da ferramenta.

Evandro Paes, gerente de Engenharia de Sistemas da Prodepa, participou dessa implantação junto à DSPD/Uepa, ressalta que as mudanças são fruto do olhar atento ao que outras organizações aplicam sempre com foco no resultado e na satisfação dos clientes. “Buscamos estar atentos ao comportamento do mercado, como as empresas de software estão trabalhando fora para melhorar nossos processos internos”, explica ele, que também é membro do Guma-PA.

O Guma-PA recebe não apenas profissionais e estudantes das área de TI, como também entusiastas da tecnologia. Assim como a palestra na Uepa, eles costumam realizar outras formas de encontro inovadoras, até mesmo em bares, para disseminar o conhecimento e estimular o relacionamento entre pessoas e organizações, sempre com foco na agilidade. Para entrar em contato com o grupo e saber como participar da rede, basta acessar a página deles no Facebook. Para conhecer a comunidade Tá Safo, também é só acessar a página deles.

Texto: Dayane Baía